Esses dias estava lendo alguns textos no Facebook e vi um que me chamou muita atenção com o título “Trauma de surdo: interfone”, da Paula Pfeifer. Achei tão interessante esse tema que resolvi contar aqui a minha experiência, porem no meu caso, foi o contrário da autora, que de início não escutava nada e após o Implante Coclear ela conseguiu superar aos poucos o seu medo e a falar no interfone.

Comigo foi o contrário, pois desde criança, com uso dos aparelhos auditivos, meus pais sempre me incentivaram a atender e falar ao telefone. Aprendi a ouvir tão bem ao usar o telefone, que falar ao interfone era mais fácil.

Na adolescência, mudei para uma casa e sempre que uma pessoa tocava a campainha na maioria das vezes eu atendia rápido e identificava quem era ao portão. Podia ser uma visita, amigos das minhas irmãs, jardineiro, entregador de pizza, etc. Conseguia falar com qualquer pessoa. Claro que algumas vezes tinha pessoa que falava baixinho ou muito rápido, nesses casos, jamais tive vergonha ou receio, simplesmente pedia para essa pessoa repetir mais devagar ou falar mais alto.

Depois do susto que passei na faculdade e mudança de aparelhos auditivos analógicos para os de digitais, minha vida mudou bastante e a parte mais afetada foi justamente falar ao telefone/interfone. Durante quase um ano de adaptação aos novos aparelhos e da fase inicial dos zumbidos, fiquei totalmente longe de um telefone.

Aos poucos, fui voltando a falar ao telefone, mas sempre com pessoas próximas como meu pai e alguns amigos.

A diferença dessa vez é que fiquei com trauma dos meus zumbidos que na época da adaptação, sempre que tentava experimentar a falar ao telefone, a “apito” abafava a voz da pessoa e na hora, passava o gancho do telefone para outra pessoa que estivesse ao meu lado.

Quando ao interfone, ficou bem esquecido na memória, pois não via a necessidade de atender e falar com algum “estranho” (sem ter ideia de quem poderia ser). Preferia não atender do que causar dano aos meus nervos auditivos (zumbido).

Hoje, já consigo falar novamente ao interfone, mas somente coisas básicas. Tais como “Fulano, está subindo” ou quando quero saber algo, consigo entender fácil o “Sim” e “Não” do porteiro. Apenas quando o porteiro resolve falar algo mais longo que as vezes me atrapalho, no entanto, para esses casos, prefiro descer e conversar pessoalmente. Assim evita-se qualquer confusão. Posso dizer que definitivamente, não tenho trauma algum de telefone ou interfone, mas sim, o meu maior medo é que os zumbidos voltem!! Afinal, quem quer ficar com um apito 24 horas dentro de “sua cabeça”?! Por esse motivo, procuro sempre preservar minha audição e usar outros recursos como sms, whatsapp e e-mail para me comunicar.  Também percebi que hoje em dia, todo mundo usa a internet: taxistas, porteiros, faz-se pedidos via internet, avisos por sms e, inclusive, em alguns lugares há até interfone com câmera!

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