A primeira vez que falei como palestrante diante de um grande público foi quando tinha 14 anos, no II Simpósio Internacional de Audiologia Infantil. Naquela época eu não tive ideia da repercussão que causei quando vários médicos, estudantes de fonoaudiologia e pais de crianças deficientes auditivas me viram “falando” e “ouvindo” com aparelhos auditivos. Eram anos 80 e ninguém imaginava a possibilidade de um bebê com perda severa a profunda pudesse levar uma vida normal e estudar em escola regular.

Dessa época eu me lembro de sentir as emoções e a curiosidade nos rostos daquelas pessoas e as perguntas que me faziam eram sobre coisas simples da vida tipo: “como eram as minhas amizades”, “se ia bem na escola”, se gostava de ler”… algo que era tão corriqueiro e normal para mim. Talvez por isso tenha ficado surpresa com tudo e não tivesse compreendido bem a reação dos ouvintes, e logo depois desse evento, voltei a minha vida normal, sendo eu uma adolescente que gostava de curtir as amizades, assim como também, que queria ser boa aluna e passar de ano sem recuperação!

Depois disso, uma vez ou outra, a minha fonoaudióloga me chamava em reuniões pequenas na clínica dela, para conversar com algumas mães. A segunda vez que prestei um depoimento diante de uma grande audiência foi a convite da Mara Gabrilli, para dar depoimento pessoal num Seminário, na Câmara Municipal de São Paulo. Isso aconteceu em 2009, quando ela era vereadora.

O resultado foi positivo, pois o tema era justamente sobre a inclusão de pessoas com deficiências em escola regular, algo que sempre incentivei, pois foi a primeira coisa que meu médico disse a minha mãe, quando eu era criança com 1 ano e meio de idade: “O primeiro passo é colocar a Cristina em uma escola regular ”.

No entanto, a palestra que mais me marcou, foi a que dei para a uma turma de fonoaudiologia da PUC de São Paulo, em 2010.

Era Dia do Fonoaudiólogo e através da Claudia, fundadora da ONG “Vez da Voz”. Ela estava “procurando” uma deficiente auditiva que fosse jornalista, e todos a informavam que essa pessoa não existia. Como ela me viu no Seminário da Mara Gabrilli, logo a seguir recebi o convite para me apresentar na PUC.

Nesse dia levei a minha audiometria, com intenção de mostrar a uma das professoras da turma, que tinha ouvido falar de mim pela minha fonoaudióloga, que tinha sido colega dela de faculdade também. O que me chamou a atenção, logo que comecei a apresentar minha palestra, foi ver que minha audiometria, ao ser passada pela professora aos alunos, ficou “circulando” de mãos em mãos entre os estudantes e todos comentando algo baixinho e em seguida olhavam em minha direção!!

Mais tarde, fiquei sabendo que a surpresa deles foi o fato de eu não ter tido uma “infância ouvinte” (segundo os médicos, é a fase mais importante no desenvolvimento da audição e da fala). Ficaram surpresos pelo fato de eu ter nascido com perda auditiva severa a profunda e ter aprendido a falar de forma clara e com uma boa pronuncia.

Depois disso, trabalhei em algumas empresas multinacionais.

No entanto, sempre senti a necessidade de trabalhar na área de comunicação para divulgar e expandir o conhecimento e a informação sobre o que é ser deficiente auditiva, a importância e a diferença que faz o uso dos aparelhos auditivos, motivação e incentivo na reabilitação auditiva (quanto mais cedo, melhor para criança), acessibilidades no trabalho, dia a dia e qualquer assunto relacionado a área auditiva.  E o fato de ser formada em uma área que é totalmente voltada a comunicação, o jornalismo, também me levou a escrever um livro.

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