Notei que estavam receosos em relação ao futuro, pois eram tantas perguntas e sem nenhuma resposta. Foi então que imaginei que deveria ser exatamente como meus pais se sentiram na época em que nasci. Eram tempos diferentes. Na década 70 não existia internet e muito menos propaganda de aparelhos auditivos. Minha mãe conta que quando eu era pequena e estava na consulta com a fonoaudióloga Anna Maria, entrou uma menininha, pouco mais velha do que eu, falando algumas palavras com a mãe. O rosto de minha mãe se iluminou de esperança e motivação, em relação a mim. Ela sentiu confiança no trabalho e se empenhou cada vez mais nas atividades, tanto na clínica quanto em casa.

Em minha experiência conversando com pais, fonoaudiólogas e observando crianças deficientes auditivas, aprendi que cada criança adquire uma linguagem própria, de acordo com a experiência que está vivendo.

A criança observa e imita as outras pessoas como o pai, a mãe, irmãs, professores, colegas, etc. Assim, com o tempo, ela vai se relacionando com o que está sendo falado, de acordo  com suas próprias experiências.

Além de colocar os aparelhos auditivos próprios para o meu caso, aos dois anos, minha mãe já me colocou numa escolinha para conviver com outras crianças. De início ela até ficou apreensiva, na possibilidade de eu não acompanhar a classe. No entanto, teve uma agradável surpresa ao receber avaliações positivas da professora.

Pelas minhas experiências escolares, o que caracteriza um aluno é a sua capacidade de aprendizagem, e não a deficiência que apresenta. Cada um tem o seu potencial e deve sim, investir nele.

Por fim, não podemos esquecer que o envolvimento familiar é fundamental. De nada adianta a criança aprender só na escola e não dar continuidade no lar. A base da educação e formação de uma criança é a sua família. Uma vez se sentindo valorizada e confiante, ela progredirá em todo o resto, seja na escola, na terapia e em outras atividades extracurriculares.

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