Início de Julho de 2004, na estrada a caminho para Curitiba. Eu estava na minha terceira mudança para Curitiba! A diferença é que dessa vez eu ia morar sozinha e determinada a fazer dar certo. Minha mãe tinha se separado a um ano e voltado para São Paulo.

Eu também regressei junto, no entanto “minha vida” e amigos ficaram em Curitiba. Por isso, depois de um ano, tentando sem sucesso me adaptar a São Paulo, decidi voltar para lá, como um novo desafio, o de morar sozinha, longe da família e procurar um emprego. Essa última parte, foi parte de um “pacto” que fiz com meu pai: procurar um emprego. 

Passei um ano fazendo entrevistas e muitas vezes passei por situações absurdas e desanimadoras em relação ao tratamento para com uma pessoa com deficiência. Outras vezes, o trabalho oferecido não era compatível com que eu desejava. No entanto, quando estava  perto de completar um ano em Curitiba, percebi que não tinha muitas escolhas e por esse motivo acabei aceitando um emprego numa área que não tinha nada a ver com a minha formação de jornalismo. Mas valeu muito a pena, pela experiência, amizade e aprendi muito tanto profissionalmente quanto na minha vida pessoal. 

O que pesou mais nessa mudança foi estar sozinha, sem ninguém da família por perto. De início morei uns meses num flat, com serviços de arrumadeira e café da manhã incluso. Depois consegui alugar um apartamento bem no centro, num prédio que no passado funcionava como Flat, mas que tinha sido vendido e havia sido transformado em residencial. Por este motivo nem tinha área de serviço, apenas uma sala integrada a cozinha, um quarto e um banheiro. Era bem pequeno, mas aproveitei muito e algumas amigas iam me visitar: Selita, Leti, Pri e Suzi eram as mais frequentes em minha casa.
Durante o primeiro ano, como não eu trabalhava, era mais fácil de resolver coisas como, por exemplo, ir pessoalmente na empresa de telefone para habilitar linha, falar com o condômino sobre o apartamento, etc. 

Depois que comecei a trabalhar, dificultou um pouco, no entanto, ainda assim consegui procurar soluções para tudo. Várias situações desde as mais divertidas até as mais inusitadas, relato em minha autobiografia que deve ser publicada no ano que vem!
Assim como a vida foi mudando, no final de 2006, após várias tentativas sem sucesso no meu trabalho de obter uma transferência para área de Comunicação ou Marketing, que com certeza teria mais a ver com a minha formação do que ser “técnica” na fábrica, comecei a desejar voltar para São Paulo. Principalmente em datas festivas e nos feriados, quando mais sentia falta da família. 

Durante a conversa com meu pai, ele disse que estava orgulhoso de mim, que desejava a minha felicidade e que somente eu sabia o que era melhor para mim, portanto o que decidisse, ele me apoiaria. E minha mãe, quando soube que queria voltar, ficou mais feliz em ter as filhas juntas novamente perto.
Uma coisa interessante que notei quando morava sozinha em Curitiba: naquela época as Operadoras de celulares não permitiam que se mandasse sms para as outras concorrentes, portanto eu falava mais ao telefone fixo com a família e algumas amigas mais próximas como a Leticia, que me ajudou muito quando morei sozinha. 

Justamente, mais ou menos no período do meu retorno a SP começaram a surgir novos aparelhos de celulares, smartphone, inclusive que podia mandar sms para qualquer operadora diferente da sua. Como sempre dizia, tudo na vida tem dois lados, como nesse caso, o bom foi que facilitou a minha comunicação via textos com mais pessoas e o ruim, foi que passei a falar cada vez menos ao telefone. Lembro que somente com meu pai eu ainda falava um pouco, até que ele próprio entrou na “onda” dos sms.
As vezes penso que não deveria ter deixado de lado as ligações, no entanto, me desabituei muito e agora, para voltar a falar ao telefone está cada vez mais difícil para mim.

Essa é a mensagem que deixo aqui para todos vocês, inclusive aos não deficientes também que querem preservar a audição ao longo da sua vida, sempre procurem estimular a audição, não se deixem acomodar na era da internet, mensagens de textos, etc. 

É importante, para o  bem da sua audição!

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