Minha primeira viagem para fora do Brasil foi aos Estados Unidos, quando tinha 5 anos. Apesar de ser muito pequena, minhas irmãs: Marcia com 9 anos e a Celina 11 anos, estavam loucas para viajar e por isso esse seria o momento ideal para toda a família viajar juntas. Apenas meu pai que ficou menos tempo e voltou sozinho ao Brasil, por causa do trabalho. Minha mãe tinha uma amiga brasileira casada com um americano que morava em Denver, e nos convidou para passar férias de uns 3 meses na casa dela. Coincidência ou não, ela tinha 3 filhos também e cada um com as mesmas idades que eu e as minhas irmãs.

A Celina que sempre foi a mais independente das três, quis ir ao mesmo colégio que o Frank Lee (filho mais velho), para aprender inglês e estudar. A escola era grande e muito parecida com a dos filmes de adolescentes americanos, com vários alunos e para chegar à escola, ela tinha que ir de ônibus escolar amarelo com os meninos. 

A Marcia foi a outra escola menor, mais perto da casa da amiga da minha mãe que ficava na montanha Evergreen, perto de Denver. E como eu não quis ficar para trás, pedi a minha mãe para me levar à escola também. De início ela ficou receosa, porém a minha vontade era tão grande que no fim, acabei indo na mesma escola que a Marcia. Assim, qualquer coisa, teria a irmã por perto caso precisasse de ajuda. 

A “teacher” (professora) chamava Beth, o mesmo nome da minha mãe. Entrei no jardim de infância e fiz amizade com algumas crianças. Para facilitar ainda mais, minha mãe fez um cartaz de cartolina, com palavras em inglês e ao lado o desenho de acordo com seu significado, como por exemplo: recreio, dormir, banheiro, livro, “bye bye” (hora de ir embora).

Aprendi várias palavras em inglês e foi uma experiência maravilhosa. A importância de se comunicar em outros idiomas e interagir com pessoas de outro país e as diferentes culturas, abrem um horizonte e fica claro que o mundo é sem fronteiras. 

Mais longe ainda, foi em 2007, quando fiz minha primeira viagem internacional sozinha à China. Fui de avião com escala de uma hora em Paris e segui direto para Shangai. Lá encontrei dois amigos colombianos que falavam espanhol e outra amiga que morava na China, que foi nossa “guia”. Ela tinha um namorado britânico, e por isso minhas conversas eram em inglês, espanhol e português. Na verdade, não falo espanhol, mas conseguia entender bem e respondia em português mesmo. Recebi o convite da viagem de um amigo do meu cunhado, que eu não conhecia pessoalmente. A apresentação foi por msn (messenger) e foi nesse bate papo que surgiu o convite da viagem. Ele só sabia pelo meu cunhado que eu era deficiente auditiva e que teria que me ajudar quando eu precisasse. Logo na primeira noite, fomos jantar e eu estava entretida num diálogo com o britânico, o meu amigo fez uma pergunta em espanhol, eu respondi em português e em seguida voltei ao inglês com o outro. Meu amigo demonstrou surpresa, com a rapidez da minha comunicação e me disse depois que eu não era nada do que ele esperava, até pelo contrário, o surpreendi. 

A viagem foi inesquecível e cheia de aventuras e mímicas, pois nenhum de nós falava “mandarim” (língua oficial da China) e a maioria do povo de lá não falava inglês ou qualquer outra língua. Depois de 20 dias na China, segui sozinha para Paris, onde fiquei 5 dias. No entanto, fui bem preparada. Antes de partir, comprei um livrinho tradutor “francês-português” e pedi para minha mãe me ensinar o básico da pronúncia em francês. Também tinha uma amiga de infância que era casada com um francês, mas por causa do trabalho dela, só podia me ver alguns dias a noite, contudo valeu muito à pena para matar a saudade dessa amiga muito especial. Aproveitei muito essa viagem, curti a liberdade de fazer meu próprio roteiro de turismo e algumas compras, sempre procurava tentar falar o francês primeiro e somente em último caso apelava ao inglês. Percebi que os franceses, em lojas e restaurantes, ao verem meu esforço para falar a língua deles, ficavam mais receptivos e felizes em me ajudar. Na maioria das vezes, eles nem percebiam que eu era deficiente auditiva, simplesmente era mais uma turista brasileira que falava “mal” francês… rs. 

Ainda tenho vontade de fazer novas viagens, e gostaria de ir especialmente conhecer aos países escandinavos e a Rússia. Sou apaixonada por história e adoro conhecer a cultura de outros lugares. 

A liberdade de me virar sozinha, saber me comunicar e viajar a lugares diferentes me deu uma coragem que antes não imaginava ter. E isso me impulsionou a me aventurar cada vez mais em novos desafios, em todos os campos, seja afetivo, profissional ou pessoal!

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