– A sua irmãzinha, Cristina, vai começar a usar o papapá (era como minha mãe chamava o aparelho auditivo que eu comecei a usar logo com 1 ano e meio), ela precisará muito da ajuda de vocês duas. É importante que brinquem bastante e conversem com ela articulando bem as palavras…

Isso foi apenas o começo da explicação que minha mãe deu para minhas irmãs sobre o uso dos aparelhos auditivos, e de como era importante ter a ajuda delas durante o meu aprendizado da fala, e a se comunicar com o mundo.

 A verdade, durante toda minha vida, sempre dizia às pessoas que não conseguiria me imaginar sem as duas figuras centrais em minha vida, as minhas irmãs Marcia e Celina. Elas estiveram sempre presentes em tudo, cada uma ao seu modo de ser e maneira de pensar. Apesar de recebermos a mesma educação de nossos pais, somos bem diferentes uma da outra em temperamentos, atitudes e convívio social. 

Agradeço a Deus sempre por ter essas irmãs especiais e maravilhosas, aprendi muito com elas e junto com minha mãe, por amor a mim, elas fizeram questão de estar sempre presente nas brincadeiras de infâncias e especialmente naquelas que me ajudavam a discriminar os sons por meios de barulhos, brincadeiras e músicas. Lembro muito de algumas delas e outras são as que me contaram. Uma delas era cantar musica como “roda roda” ou “atirei o pau no gato”… tem coisa mais gostosa do que dançar com as irmãs e no fim cair na risada?! Ou quando brincava no playground do prédio e ao passar o avião, elas apontavam com o dedo indicar para o céu e imitavam o avião, com os bracinhos estendidos e imitavam o barulho do avião com a boca. E eu sempre as imitava em tudo! Em conversas com amiguinhos, sempre fiz amizade fácil. E logo eu, que era a mais falante da casa, mas quando não compreendia algumas coisas, as minhas irmãs explicavam e me incluíam sempre nas conversas.

Nas atividades esportivas, jamais me deixavam de lado e sempre faziam questão que eu participasse junto com os primos mais velhos daquela época, mas sempre com um instinto protetor para comigo. O engraçado era que o motivo principal dessa proteção não era por eu ser deficiente auditiva, mas por ser a “irmãzinha” caçula, que interagia com todo mundo e sempre muito extrovertida.

Meus pais jamais fizeram diferença na criação, apenas que no meu caso, necessitava de mais repetições na fala e atenção maior nos gestos, até que pudesse compreender o que me era dito ou mostrado. Porém, quando era malcriada ou levada, sempre ficava de castigo até aprender. 

Desde pequena fui uma criança interessada ao que se passava ao redor, queria aprender novas palavras, era curiosa em relação a tudo que acontecia e sempre fazia questão de acompanhar as brincadeiras junto com as minhas irmãs e primos. E segundo minha mãe e fonoaudióloga, esse meu jeito curioso de ser ajudou muito o meu desenvolvimento. 

A presença das minhas irmãs em minha vida segue até hoje, mesmo ambas casadas com filhos, no entanto, quando a gente se reúne é uma delícia. As conversas e conselhos que uma dá a outra e muitas vezes divergem, pois pensamos de forma diferente.

Percebo que com tudo isso, a vida da gente muda com o passar do tempo, as obrigações, adaptações, formação de novas famílias… mas por outro lado, algumas coisas permanecerão sempre, como a amizade, a cumplicidade e o cuidado ao querer saber se está bem, feliz e se precisa de alguma ajuda.

Além da nossa união, sempre agradecemos e cuidamos dos nossos pais que foram fundamentais para sermos o que somos.

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