Esse mês, reservei especialmente para falar sobre animais. Vejo grande a importância deles na vida de um ser humano, como: salvar vidas, autoajuda, transportar e por fim, por serem grandes companheiros. No meu caso, é um pouco de tudo, pois sou apaixonada por cachorro e cavalo. Quando era criança sempre quis ter um cachorro, meus pais quiseram esperar, para ver se com o tempo eu desistia, mas a vontade ia crescendo até que ganhei de presente no final de 1984, um cachorrinho poodle, que por sugestão da Celina, minha irmã, recebeu o nome de Elliott.

Ele era parte da família e claro, a gente (eu e minhas irmãs) ficava com a parte divertida, que era brincar e levar o Elliott para passear. Quem tinha que educa-lo, era minha mãe, principalmente quando ele fazia bagunça e xixi pela casa. Contudo, de todos da família, o Elliott seguia mais a minha mãe por toda parte.

Acredito que todo cachorro tem um sexto sentido, e o Elliott era muito inteligente, pois de alguma forma, ele sabia que eu não ouvia direito. E notei sempre que tocava a campainha, ele corria em minha direção, sempre latindo e depois seguia para a porta. Assim eu sabia que tinha alguém na porta, o mesmo, ele fazia quando era o telefone.

Outra coisa interessante que notei, era quando estava no quarto com o Elliott, minha mãe me chamava da sala, o próprio Elliott sinalizava para mim, com as orelhas e olhares e em seguida, virava a cabeça em direção à porta. E assim, sabia que alguém estava entrando no quarto ou apenas me chamando. Ele nos trouxe muitas alegrias e quando alguém da família ficava triste, ele simplesmente chegava pertinho e sentava ao lado para transmitir calor, carinho e companhia. Ele viveu 15 anos conosco.

Outro animal que deixou marcas profundas em mim foi um cavalo árabe chamado Hafandy, no entanto, esse era exclusivamente “meu”. Antes de ele chegar em minhas mãos, pertencia a uma prima querida de Andradina e o filho mais velho dela competia com o Hafandy em provas de tambor e baliza. Foi lá que me apaixonei por ele, e ele, por sua vez, por mim. Sem dúvida foi amor à primeira vista. Hafandy entrou em minha vida no momento certo, quando mais precisava de ajuda.

Tinha acabado de sair do hospital, após ter problemas com a audição e zumbido (como citei no texto: O valor que dou “ao pouquinho da audição que tenho”) e à minha frente tinha um futuro incerto, pois não sabia se o se o zumbido ia sumir, se a audição ia melhorar, se ia conseguir adaptar ao novo aparelho auditivo digital… eram tantas perguntas sem respostas. E ainda por cima, o médico me proibiu de ir em baladas ou quaisquer ambientes barulhentos por um tempo.  Estava no terceiro ano da faculdade e esse era o momento que precisava ser forte, pois sabia que tinha muita coisa pela frente e adivinhem de onde veio essa força e apoio?! Do Hafandy claro!! O grande amor da minha vida…

Realmente amava tanto esse cavalo, a ponto de meu namorado (comecei a namorar logo no ano seguinte) ter ciúme dele. E o mais curioso é que o Hafandy, também não se deu bem com ele e eu tinha que ficar no meio desses dois “briguentos”. Ambos me deram muito trabalho!!!! Minha vida mudou totalmente depois do Hafandy, encontrei um lugar para ele numa fazenda maravilhosa de um grande amigo em Indaiatuba e assim, todos os fins de semana, logo após a última aula de sexta-feira da faculdade ia direto pegar estrada para vê-lo e ficava na casa que meus avós tinham na cidade.

Como ele já competia em provas de tambor e baliza com meu primo, eu comecei a treinar nas mesmas modalidades e alternava com um passeio gostoso no meio da natureza pela fazenda. Com o tempo, meus valores mudaram bastante, já não era mais importante sair para baladas e até minha alimentação mudou, para melhor. Emagreci e percebi que estava mais feliz do que antes… aos poucos fui me adaptando aos novos aparelhos e sem perceber, os zumbidos foram diminuindo consideravelmente até acabarem.

O único trauma que ficou, foi de ficar 1 ano sem falar ao telefone. Somente quem conheceu o Hafandy e participou junto comigo das aventuras que tive com esse grande animal é que pode compreender a minha forte ligação com ele. Suas principais qualidades eram: alegria de viver, vitalidade, perseverança e força que poucos têm.. nem mesmo quando teve uma cólica que quase o matou, lutou e foi um guerreiro. O Hafandy me ensinou tanta coisa, entre elas a vontade de viver, de não desistir, a cumplicidade e o mais importante: amar sem limites.

Ele era temperamental e acredito que podia enxergar dentro do coração de um ser humano. Não eram todas as pessoas que ele aceitava que montassem nele,  e aí não tinha jeito. A confiança que eu tinha nele era total. Uma vez em uma prova de baliza (seis balizas colocadas enfileiradas, distantes 6,5 metros uma da outra e o cavaleiro tinha que percorrê-las, contra o tempo), logo na partida, minhas mãos ficaram enroscadas nas rédeas, me deixando imobilizada.

O Hafandy percebeu, mas nem por isso parou, simplesmente fez sozinho e sem derrubar nenhuma! Não ganhei a prova, por não conseguir impulsioná-lo com as mãos presas, mas me senti vitoriosa por ter esse presente ao meu lado. Enfim, foram tantas histórias, aventuras e episódios engraçados, que, porém acredito que o Hafandy merece um livro especial com todas as aventuras que vivemos. Quem sabe… é uma outra ideia a germinar também.

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