Final de 1993, pouco antes de concluir o 3º colegial, já estava selecionando cursos de graduação. Naquela época não havia muitas opções como as que temos hoje. Cheguei até a pensar em veterinária, por gostar tanto de animais, no entanto, não gosto de vê-los machucados e nem sangue… desisti! Direito?! Hummm talvez. Administração ou Economia não serviam ao meu gosto, pois não gostava de contabilidade e números. Restou Comunicação Social e naquela época, era possível selecionar “Comunicação Social” e após o segundo ano (na FAAP) ou terceiro ano (na antiga FIAM – e hoje FMU), escolher entre 3 áreas mais específicas: Jornalismo, Publicidade ou Relações Públicas. E prestei 4 vestibulares: Federal do Paraná, PUC Paraná, FAAP e FIAM. Com isso, ocorreu minha primeira mudança de volta a São Paulo, pois tinha ido morar em Curitiba, quando minha mãe casou com meu padrasto. Digo isso, pois ao me formar, estava voltando a morar em Curitiba novamente, portanto, o mundo realmente dá voltas!

Algumas pessoas me perguntam se eu tive alguma assistência especial ao prestar vestibular ou qualquer coisa assim ao entrar na faculdade. Primeiro, é importante entender que o final dos anos 90 era uma época totalmente diferente de hoje; o movimento de direitos e inclusão de pessoas com deficiências estava engatinhando para o ano 2000. No entanto, nunca tive nenhum problema ao prestar o vestibular, pois era muito organizada e assim como a maioria, fui bem preparada. Sabia qual era a sala em que ia prestar, procurava chegar cedo para pegar uma mesa a frente de modo que pudesse olhar para o professor. As provas eram distribuídas e sempre observava as pessoas a minha volta. Como sempre fui sociável, conversava com algumas pessoas e todas elas se dispunham a me ajudar. Após o professor explicar as regras, que no geral eram sempre “padrão” para todas as provas, quando não entendia, chamava o professor e explicava a minha dificuldade. Enfim, lembro que os 4 vestibulares foram tranquilos. Enfim, entrei na FIAM no curso de Comunicação Social.

Sempre fui “disciplinada” e não quis perder a primeira semana de aula, no entanto, acabei sendo pega pelos veteranos para trote, que na época era “pedágio”, ou seja, pedir dinheiro nas ruas. Não tive como escapar naquele dia rs. Mas depois dessa só retornei a aula na segunda semana!
A minha classe era enorme, com uns quarenta e poucos alunos, de início fiquei um pouco perdida. E conversando com a Marcia, minha irmã, soube que uma amiga dela tinha uma amiga que entrou na mesma época e que era “super legal”. Ela falou para procurá-la. Tudo que sabia era que chamava Adriana. No dia seguinte, fiquei atenta a chamada e vi uma menina parecida com a descrição dessa “amiga”, com quem fui falar no intervalo. Não sei se foi pressentimento ou destino, mas senti uma afinidade com ela e resolvi conversar. Não era a “Adriana”, ela se chamava Fabiana. Foi assim que fiz a minha primeira amizade na faculdade. Em seguida, aos poucos, mais meninas foram se juntando a nós duas… Cris (minha xará), Dani, Carol, “outra” Dani, Karen, Aninha, Cynthia… e no fim, somente um único homem entrou na nossa turma, Maurício.

Hoje, sinto uma saudade enorme dessa época gostosa! A turma era grande e muito divertida. Um ajudava ao outro, fazíamos brincadeiras, nossas conversas engraçadas e animadas. Os professores adoravam a gente, sempre ao final da aula, alguns ficavam conversando conosco. Durante os três primeiros anos da faculdade, assim como no ginásio, eu acompanhava a maioria das aulas quase sem precisar de ajuda. Usava aparelhos auditivos analógicos, tendo a parte um controle remoto de volume. Por eles serem muito fortes e potentes, eu ouvia bem, além de falar ao telefone com as minhas amigas, eu conseguia acompanhar as aulas, anotava tudo que os professores falavam e depois passava os meus resumos para as minhas amigas. Quando os professores faziam chamadas de presença às aulas, eu sempre ficava atenta e prestava atenção na pessoa que respondia antes de mim e outras vezes, minhas amigas me avisavam quando chegava a minha vez. Alguns professores me conheciam bem e ao chegar ao meu nome da lista, eles olhavam para a turma, apenas para confirmarem que eu estava lá.

Nunca gostei de faltar a aula, pois quando acontecia, por motivo de doença ou viagem, tinha que “correr” para acompanhar as matérias que perdia. Também haviam vários trabalhos em grupo e essa parte foi que uniu mais a nossa turma, pois sempre marcávamos um encontro na casa de algum dos colegas e muitas vezes ocorriam em minha casa, pois era a única que morava perto da faculdade. E além das aulas pela manhã, começamos a sair a noite, quando havia algum aniversário ou íamos a baladas.

Até o momento em que minha audição pediu “socorro”! Quando simplesmente parei de ouvir, mesmo com aparelhos auditivos. Não escutava nada! (Leia na matéria “O valor que dou “ao pouquinho da audição que tenho”).
Após passar por uma fase muito difícil de tratamento e recuperação, até cheguei a pensar em trancar a faculdade. No entanto, tive apoio das minhas amigas, todas elas se dispuseram a me ajudar e justamente com esse incentivo e carinho que recebi delas, foi o que me motivou a continuar. Nos primeiros dias de retorno as aulas no segundo semestre do 3º ano, ainda estava me adaptando aos aparelhos auditivos digitais. Os sons eram completamente diferentes e tinha a sensação de que os sons eram abafados, como se todo mundo estivesse gripado. O esforço para entender era muito grande. Alguns professores foram compreensivos e outros um desafio para mim. No entanto, jamais levei para o lado pessoal, simplesmente procurei ter muito jogo de cintura em cada aula. Em algumas aulas que eu não conseguia acompanhar e então, nos intervalos, ficava na sala de aula para copiar todas as anotações das minhas amigas, especialmente da Fabiana e da Daniela que, assim como eu, também estavam no terceiro ano do curso de Jornalismo.

Todas elas me ajudaram muito, cada uma ao seu jeito. Jamais me senti “de fora” ou deixada de lado. Sempre estava incluída em algum grupo, trabalho de dupla e houve uma vez em que numa chamada de presença, quando chegou a vez do meu nome, várias vozes ao mesmo tempo responderam: “Aqui/presente/A Cris tá aqui”. Achei engraçado e ao mesmo tempo fiquei muito feliz de ter essas amizades ao meu lado!
Passei de ano direto para o quarto e último ano da faculdade. Esse ano foi até mais sossegado, em especial, por que minha vida mudou bastante e ainda mais agora que estava com o Hafandi fazendo parte importante em minha vida e assim, todos os fins de semana ia para Indaiatuba vê-lo. (Leia na matéria “A minha relação com os animais”)

Agradeço as minhas amigas que sempre me apoiaram e estiveram ao meu lado. Se não fossem elas, poderia ter trancado a faculdade e perdido alguns anos de estudo. No entanto, me formei em 1997 e sem pegar nenhuma recuperação. E de mudança para Curitiba, com um namorado e pronta para uma nova fase da vida.

Por tudo isso, jamais tive necessidade de tratamento especial ou atendimentos que me favorecessem. Aprendi a importância das amizades, das pessoas que fazem parte da nossa vida e a dar valor a elas. Isso que importa e vale por toda vida!

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