Fiquei surpresa com a quantidade de olhares feios que os outros dirigiram a mim… Realmente, no meu caso, por causa dos meus cabelos compridos, minha deficiência fica difícil de se notar e antes que me aproximasse, a moça do caixa foi logo me avisando:

–Essa fila é somente para preferência, me desculpe!

–Deficiente auditivo pode usar? –Perguntei.

–Sim, pode.

Tranquilizei a moça, explicando que eu uso aparelhos auditivos para ouvir e falar, nesse caso podia pegar a fila preferencial.

A moça foi super simpática e começou a conversar comigo, fazendo perguntas tipo se eu estivesse sem os aparelhos eu ainda podia escutar um “pouco”. Ficou surpresa quando respondi que sem eles eu não ouvia nada! Depois ela comentou que pensou que fosse estrangeira (assim como aconteceu na minha história do taxi – link do texto anterior).

Enquanto isso, as outras pessoas que viam de longe, não compreendiam como uma caixa poderia estar me atendendo na fila preferencial, sem imaginar qual era o meu problema. Caso alguém falasse, eu explicaria com maior prazer. Infelizmente a sociedade em que vivemos tem uma facilidade em “pré” julgar os outros, sem conhecer a real razão dos fatos. Por outro lado, entendo que também existam algumas pessoas que não respeitam a fila preferencial.

E uma vez que foi tão engraçado… quando morava em Curitiba, costumava viajar bastante para visitar minha família em São Paulo. Em uma dessas viagens, na volta para Curitiba, o aeroporto de Congonhas estava cheio. Quando estou sozinha, sempre pego a fila preferencial, pois outra vez que não avisei que era deficiente auditiva, achando que era só olhar o número do cartão do bilhete de embarque e assim, embarcaria com facilidade.

Isso seria simples, se não trocassem de portão de embarque e, ainda por cima, informassem essas mudanças pelo alto falante! Quase que perdi o avião daquela vez!E teria acontecido, se eu não prestasse atenção nas pessoas que estavam próximas se levantando e pegando as malas de mão para correrem ao outro portão. Perguntei a uma senhora que estava próxima de mim e que me informou sobre a mudança. Desde então, achei justo pegar fila preferencial e informar a companhia aérea sobre minha necessidade.

Outra vez, no aeroporto, quando estava na fila aguardando a minha vez ser atendida, comecei a conversar com uma senhora que estava a minha frente. O rapaz do guichê tentou chamar a senhora e ela, distraída, não ouviu. Assim, acabei a avisando de que era a vez dela.

Finalmente, quando chegou a minha vez, dei minha identidade e código da reserva. O homem do guichê se ergueu um pouco acima do balcão e, tentando ser discreto, me examinou de baixo para cima e perguntou curioso:

–A senhora, por acaso, está grávida?

Levei alguns segundos para entender o motivo da pergunta e comecei a rir. Falei que não estava grávida, apesar de adorar criança e ter vontade de ter uma… e aí então, expliquei o motivo de estar naquela fila.

Conto tudo isso para que as pessoas compreendam que, em situações como essas em que me encontro com frequência, é sempre interessante falar sobre minha deficiência aos que podem me auxiliar e na necessidade de se colocar no lugar de quem está me atendendo. Muitas vezes as pessoas são mal interpretadas e antes que alguém me julgue mal, sempre procuro dar abertura, me colocando no lugar dessa pessoa que não tem como saber da minha deficiência e explico o meu motivo conforme a situação em que me encontro.

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