Nasci no dia 28, que é uma data de festa e ao mesmo tempo um precioso momento de reflexão. Sempre gostei de reunir os amigos e a família nesse dia, portanto é muito difícil de passar “em branco”. Todos os aniversários são muito especiais e marcantes, podendo ser comemorados com grandes festas ou jantares mais íntimos, pois o mais importante é o fato de sempre passar com pessoas muito queridas.

Quando eu era criança, minha mãe sempre fez questão de me fazer comemorar com todos os amiguinhos da escola. A mais marcante da minha infância, foi uma grande festa no salão do meu prédio com o tema de Cinderela. Minha mãe fez um lindo bolo em forma de castelo, o caminho até o portão de entrada era feito de brigadeiros, o gramado do jardim era feito de bala de coco enrolada em um papel crepom verde, a Barbie era a cinderela e o Ken o príncipe, claro! Com cartolina, minha mãe ainda fez uma carruagem, usando os bonecos “Playmobil” como pajem e outros figurantes à parte. Foi uma grande festa, compareceram todos os meus colegas, professores, primos e tios. Havia também uma equipe de animação que encenou um teatrinho e brincadeiras com as crianças.

Para mim, não importa o lugar ou o tipo de festa, mas sim, as pessoas que estão comigo e de como eu estiver naquela fase da vida. Eu sempre me lembro de uma frase que um pai falou ao filho, num seriado da TV que eu assistia: “Filho, as pessoas vem e vão de sua vida, no entanto, você terá que conviver consigo mesmo o resto da sua vida. Por isso, procure ser feliz e estar bem consigo mesmo, seja onde estiver”. Sem dúvida que ainda sonho com o dia em que irei comemorar essa data ao lado de um companheiro e de um filho, ou seja, com a minha própria família… quem sabe um dia isso se torne realidade!

Por esse motivo, aproveito também para fazer uma “retrospectiva” da minha vida até este momento. Apesar de saber que ainda terei um longo caminho à minha frente, sinto que já passei por muitas coisas e superei alguns obstáculos. Devo ter perdido algumas batalhas, em compensação venci outras várias delas. Em todas, considero um aprendizado na vida, seja para crescer, fazer melhor ou mudar alguma realidade.

O mais importante é jamais perder essa alegria de viver. Me dei conta disso quando fui me despedir de um colega em meu último dia de trabalho, da época em que morava em Curitiba e resolvi brincar com ele para quebrar o clima de tristeza: “Agora não precisará mais se preocupar em me aguentar pegando no seu pé e cobrando os serviços” (eu cobrava as tarefas da minha equipe todos os dias) e a reposta dele foi: “Não é de suas cobranças que vou sentir falta, e sim, da sua alegria no dia a dia ao vir trabalhar, tudo ficava mais leve”. Nem é preciso dizer que chorei rs.

Ainda quando morava em Curitiba, uma pessoa de uns sessenta e poucos anos me disse: “Já passei por tanta coisa na vida… até mesmo muito mais do que você.” (na época eu devia ter uns vinte e sete anos) e, surpresa, olhei para ele e expliquei: “Tenho certeza de que passou por muitas coisas na vida e o admiro muito por isso. Porém é difícil de dizer algo assim se baseando somente na idade, pois eu também já passei por muitas coisas e sofri principalmente em relação à saúde auditiva como, por exemplo, perder a audição na época da faculdade e lutar para seguir em frente. Assim como há pessoas que chegam aos quarenta ou cinquenta e jamais passaram por alguma situação difícil e levar um tombo na rua se torna um grande problema para elas.” Não que realmente tenha acontecido o tombo rs, apenas citei isso como um exemplo.

Tudo depende do que cada um de nós tem que passar na vida, claro que já me perguntei após sair do hospital: “por que isso aconteceu comigo?!”. Mas percebi que se fosse com outra pessoa, talvez ela não estivesse preparada para essa provação e corre risco de fraquejar. E assim, percebi que tudo somente me fortaleceu.

E justamente quando passei meu aniversário no hospital Einstein, ganhei uma festinha no meu quarto. Minha querida avó Celina fez o bolo que mais gosto, recheado de morango! Recebi vários parentes, meus padrinhos, minhas irmãs e até meu futuro cunhado Sergio, na época namorado da Celina, fez questão de ir.

Ao sair do hospital estava naquela situação em que o futuro era incerto e até pensei em trancar a faculdade. Nessas horas que mais necessitamos é que percebemos quem são suas amigas de verdade! As meninas da faculdade me deram o maior incentivo e apoio para continuar, me ajudaram bastante nas aulas e trabalhos.

Antes de acontecer tudo isso, tinha comentado com meus pais que queria dar uma festa de aniversário aos meus amigos… mas, diante das dificuldades, pensei em ficar “quietinha”. No entanto, meus pais queriam que eu comemorasse ainda mais depois que ganhei um presentão, o meu cavalo Hafandy (leia o texto A minha relação com os animais).

Assim, preparei um “queijo e vinho” em casa e chamei vários amigos e primos. Fiz uma lista que deu quase cinquenta pessoas. Minhas irmãs diziam para convidar todos, pois alguns talvez não pudessem ir… Lembro que foi num sábado, dia 24 de agosto de 1996 e foram TODOS que eu tinha convidado! As minhas irmãs ficaram muito felizes por mim, de ver que eu tinha tantos amigos que se importavam comigo e que ficaram na torcida para que melhorasse logo.  Foi uma festa que ficou marcada para sempre em minhas lembranças, muito divertida e eu estava muito feliz, como sempre, otimista de que tudo iria melhorar!

E agora, mais uma nova idade vindo…. e tenho certeza que novas experiências e aprendizados surgirão pela frente. Mas cada fase é diferente da outra, dependendo do nosso amadurecimento e maneira de encarar o mundo. Hoje, aprendi a dar valor às coisas mais simples da vida, desde escrever um cartão especial para alguém que amamos, sorrir para as pessoas, cumprimentar todos que vemos à nossa frente e ser feliz.

E que venham os 38 anos, de preferência, sem pressa nenhuma!

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