Telefone tocava alto, uma menininha de 5 anos correu rápido para atender e a mãe dela deixou, pois sabia quem era e que ele sempre ligava nesse mesmo horário.

– Alô
– Cristina, sabe quem está falando?
– Papai!!!

E assim, por meio de conversas curtas e simples, o meu pai me ligava todos os dias do trabalho dele quando eu era criança. Foi assim que eu comecei a falar ao telefone, numa época que ainda não existiam essas tecnologias que temos hoje: Internet, celulares, mensagens de texto e outros.

Meu pai também gostava de me chamar de longe, como por exemplo, quando estava brincando no meu quarto, antes de ele entrar me chamava da porta para ver se eu o ouvia. O fato é que quando criança, ouvia melhor sons graves como a voz do meu pai e por esse motivo, sempre o reconhecia pela voz, que para mim mais fácil, já que ele era o único homem da casa. As outras pessoas eram: minha mãe, irmãs e a cozinheira! Ele sempre brincava que até a cachorrinha era do sexo feminino!!! Bem ele que vinha de uma família de 6 irmãos, todos homens!

Meu pai sempre gostou muito de contar histórias e de brincar comigo e com minhas irmãs. E logo quando comecei a falar, era eu a mais falante da casa. Queria saber de tudo que acontecia em minha volta e não parava quieta, o que o deixava atordoado. 

Meu pai é muito especial, sempre esteve ao meu lado, e até hoje é um pai amigo. Quando acontece alguma coisa, ele reza para tudo acabar bem e diz que o mais importante em nossa vida, é termos saúde. O que sou hoje se deve muito às suas experiências, suas histórias, acertos e equívocos. Vejo nele um homem alegre e brincalhão, mas também, às vezes, silencioso e pensativo, além de ser sensível e generoso com todos. 

Quando tomei a decisão de ir morar sozinha em Curitiba, ele foi meu maior aliado, pelo simples fato de confiar e acreditar em mim. Sabia que eu seria capaz e dizia que me apoiaria, mas sempre com a ajuda e compreensão da minha mãe como aliada também. Combinei com ele que contaria com a ajuda que me ofereceu, mas que também procuraria emprego. Por quase um ano, fiz várias entrevistas e distribuí currículos com muitas histórias que narro em minha autobiografia. Estava quase pra voltar para São Paulo, quando finalmente uma empresa, em 2005, demonstrou interesse em me contratar. Recebi uma grande oportunidade numa área que, apesar de não ter nada a ver com a minha formação de jornalismo, foi um desafio com grandes conquistas e vitórias para mim. E mesmo quando quis voltar a morar em São Paulo, novamente meu pai me apoiou e incentivou, pois o mais importante para ele, era que eu fosse feliz. 

 Obrigada, pai, por orientar o meu caminho

feito de lutas e incertezas,

mas também de muitas esperanças e sonhos!

Que seu dia seja muito feliz!

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