Muitas vezes nos deparamos com situações inusitadas e outras absurdas nas questões de atendimentos às pessoas com deficiência em restaurantes, empresas em geral e outros.

Na maioria das vezes é preciso de uma boa dose de paciência e muito jogo de cintura para conseguir o seu objetivo.

Citarei um fato bem recente que ocorreu comigo, em julho, eu e uma amiga muito querida, Fernanda, estávamos animadas para conhecer um restaurante. Sabíamos que após a meia noite o som aumentava e diminuíam a iluminação, criando um clima de agito e “pré-balada”. Chegamos às nove horas da noite, ainda estava tranquilo e com algumas mesas vazias. Soubemos pela “hostess” (moça que recebe as pessoas na entrada) que a espera seria de 1 hora. Sem problema, estávamos curtindo a noite e era tempo suficiente para aguardar no bar.

E assim o tempo foi passando… passando…
Comecei a sentir fome, e quando olhei o relógio, já era dez e pouco.
Achei melhor voltar a falar com a hostess, pois queríamos poder conversar durante o jantar e caso demorasse muito, seria mais difícil para mim, no escuro e com som altíssimo.

E assim foi a conversa:

Eu: Com licença, queria saber quanto tempo de espera até chegar a minha vez?
Moça: Vai demorar um pouco mais, pois tem muita gente chegando…
Eu: Entendo, mas queria explicar que sou deficiente auditiva e conforme vai aumentando a música, fica mais difícil de conversar, seria possível dar preferência a pessoa com deficiência? Pois o gostoso é poder conversar com amigos durante o jantar, não acha?
Moça: Com certeza… mas sabe… teve várias pessoas que chegaram as nove horas, mas desistiram de esperar e foram embora…
Eu: Ok, mas vocês não tem atendimento preferencial aqui?
Moça: Nós temos… sabe como é… que muita gente que chegou cedo, viu que ia demorar e não quis esperar e foram embora…
Eu (com muita paciência): Entendo, mas você pode me ajudar? Queria saber… (a moça me interrompe)
Moça: Aaah mas tanta gente desistiu de esperar e foi embora para outro lugar…

Devia ser mais ou menos umas dez e quarenta da noite, e com muito jogo de cintura, sorri olhando diretamente no rosto da moça e perguntei:
Eu: Por acaso você está me mandando embora?
Moça (já sem graça e atrapalhada): Nãããoo… imagina! Apenas estava te informando que ia demorar..
Eu: Entendi. Mas não quero saber daqueles que já foram embora, e sim, QUANTAS pessoas tem a minha frente, para eu ser a próxima?

Acho que nesse momento ela percebeu o absurdo da situação e tive a impressão que ia dizer “duas” com a mão, mas titubeou por um segundo e por fim, mudou para uma pessoa antes de mim.

Se não estivesse com tanta fome, confesso que teria ido a outro lugar, mas queria muito conhecer o restaurante e já estava muito tarde… quase onze horas!

Voltei ao bar onde estava a Fê e contei a conversa “interessante” que tive com a hostess. Ela nem acreditou: “Mas isso não pode acontecer! Que absurdo… não se diz uma coisa dessas a ninguém. Essa moça não deve estar preparada para essa função.”
Concordei com ela e finalmente a moça veio me chamar para sentar, porém não parou por aí… A “única” mesa que tinha para nós, era no terraço! Sorte que a noite estava quente e agradável. No terraço havia outras pessoas jantando e circulando com bebidas. Vi que era coberto por um toldo, achei ótimo! Mas ao sentar, senti cheiro de cigarro!!! Olhei para moça e perguntei “Aqui é área de fumante?”. Percebi que a moça ficou sem jeito e respondeu que sim. Mas e a Lei que proibia fumantes em área que as pessoas comiam e bebiam?!? Além de o espaço ser “uma extensão do restaurante”, eu sabia que o único lugar permitido aos fumantes era na calçada.

Como estava cansada, simplesmente sentei e resolvi curtir a noite. Porém, com a certeza de nunca mais voltar a esse local. Só faltou um detalhe para terminar a noite… devia ser quase onze e vinte, ainda estávamos na entrada, quando lembrei e comentei com a minha amiga “Pergunte ao garçom que horas fecha a cozinha”. Talvez por pressentimento, mas a resposta foi a que eu esperava: “Fecha a meia noite”.

Também passei por várias situações singulares com algumas empresas, especialmente na questão de atendimento ao telefone. Muitas vezes, eu ia pessoalmente até as empresas esperando ter um atendimento presencial com alguns funcionários, esses mesmos me respondiam que a solução do meu problema era somente por “telefone”. E mesmo explicando a eles que tinha dificuldades de falar ao telefone por ser deficiente auditiva e por isso, que estava lá pessoalmente para solicitar ajuda. E mesmo assim a resposta era essa: “somente por telefone, a senhora disca XXX0000…”

Penso que não é somente no meu caso. Os idosos, por exemplo, podem até ouvir e enxergar bem, mas podem não ter mais a mesma agilidade de raciocínio que os jovens. Por exemplo, já vi minha avó se atrapalhar ao ligar para o SAC de alguma empresa e a secretária eletrônica oferecer várias opções e na hora de ela escolher, a ligação caía.

Já me encontrei em situações difíceis com uma operadora de celular, após reclamar por todos os meios de canais, até e-mail e nada de resolverem o meu problema. Em último caso, tinha que reclamar com a Ouvidoria e para minha surpresa ao entrar no site dessa operadora com esperança de encontrar um e-mail… aparecia somente um número de telefone. E somente o 0800. Fui pessoalmente a essa loja umas 10 vezes e nada! Desisti dessa operadora e voltei à antiga.

Sei que pela regulamentação da ANATEL, todas as operadoras deveriam dar acesso aos clientes por todos meios de comunicação, certo?! Deveria também obrigar todas as operadoras e empresas a dar assistência pessoal para pessoas com necessidades especais e idosos.

Essa é minha sugestão para o governo, para a ANATEL e para todos que puderem: obrigar as empresas a darem melhor assistência pessoal para casos especiais. O que vocês acham?

Outras histórias saberão em breve na minha autobiografia.

Gostei
Gostei Amei Haha Wow Triste Grrr