Continuando sobre a minha viagem, escreverei aqui sobre acessibilidade em Paris.

A última vez que tinha estado lá foi com minha mãe, em 2008. O que me chamou atenção desta vez foi encontrar, em vários lugares tais como restaurantes, museus e parques, o logotipo representando a pessoa com deficiência.

Logo no segundo dia, o Rafa me levou à Disney de Paris. A gente tinha forte lembrança da nossa infância no playground do prédio em que morávamos, em especial um gira-gira enorme e adorávamos ficar horas e horas rodando sem parar. Com isso, decidimos, agora adultos, a nos aventurar em montanhas russas ou quaisquer brinquedos com fortes emoções de aventuras.

Ao entrar na fila para comprar ingressos, logo notei na parede o logo de um deficiente físico na cadeira de rodas e ao lado um texto em francês. Pedi ao meu amigo para se informar sobre acessibilidade e descobri que tinha direito a um desconto no ingresso, com passe livre nos brinquedos!!! No entanto, tinha que comprovar a minha deficiência auditiva, apresentando um cartão do governo. Nem tinha ideia do que era isso, no entanto, imaginei que devia ser algo semelhante aos cartões dos deficientes físicos e idosos aqui no Brasil.

Achei isso interessante, pois deveríamos mesmo ter um cartão que comprovasse cada tipo de deficiência. No meu caso, era uma deficiência praticamente “invisível”, pois eu sou oralizada e meus cabelos cobriam os aparelhos auditivos. Fora do Brasil, eu simplesmente era uma estrangeira aprendendo a falar francês. Infelizmente eu não possuía no momento nenhum recurso que pudesse comprovar minha deficiência e, mesmo usando aparelhos, eles não aceitaram. Então, o Rafa e eu fomos nos divertir em cada brinquedo e “voltamos a ser crianças” por um dia. No entanto, achei ótimo saber disso, para me preparar para os próximos passeios.

No dia a dia, enquanto meu amigo ia trabalhar, eu aproveitava para fazer turismo e visitar museus e igrejas. Percebi que o importante para ter acesso a acessibilidade era ter comigo, alguma documentação que comprovasse a minha deficiência. Assim sendo, passei a levar em minha carteira, a minha audiometria original e mais o passaporte com minha foto. O Rafa me ensinou a falar em francês “Je suis handicapé” (tenho uma deficiência), e sugeriu que eu mostrasse os aparelhos, para comprovar “que tipo de deficiência é a minha”.

Foi incrível a atenção e gentileza que recebi dos parisienses. Na maioria dos pontos turísticos a entrada era livre, mas o que me chamou a atenção era que todos os funcionários sabiam como me atender e mostravam por onde eu tinha que seguir (entrada). Sem dúvida, que aprender um pouco francês facilitou muito, pois um “bom dia, senhor ou senhora” já era uma abertura do caminho para ser bem atendido, como explicou meu amigo Rafa nas pequenas aulas que me dava sobre a língua e os costumes (de boa educação) dos franceses.

O que achei interessante e adoraria que implantassem no Brasil, seria o fornecimento de alguma carta ou documento, que identificasse as pessoas com Deficiências (de todo tipo) e não somente para deficiente físico ou idoso.

Apesar de eu ser oralizada e ouvir bem com aparelhos auditivos, a minha perda auditiva é profunda e tenho limitações, principalmente em falar ao telefone.

Portanto, acho importante haver uma documentação universal, que tenha valor em qualquer lugar do mundo.

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