Enquanto escrevia a minha autobiografia, fiz entrevistas para saber mais detalhes da minha infância. Uma delas foi a respeito da importância da profissão de um fonoaudiólogo.

Perguntei a minha mãe se antes de eu nascer, ela já teria ouvido alguma coisa relacionada a essa profissão. A resposta foi de que tinha ouvido a palavra “fonoaudiologia” através de uma colega do colegial que pretendia seguir nessa profissão. Em resumo, o início do ensino da Fonoaudiologia no Brasil ocorreu mais ou menos na década de 60, portanto, quando eu nasci (1975) ainda era muito recente e ainda estava em fase de germinação até ela ser regulamentada em 1981.

Em seguida, durante um almoço com a minha querida fonoaudióloga, que foi como uma segunda mãe para mim. Perguntei a ela como foi o primeiro encontro com a minha mãe. Ela deu risada e disse: “Sua mãe chorou o tempo todo”. Fiquei surpresa, imaginando o que minha mãe deve ter sentido e acredito que entre vários sentimentos, um grande alívio dever ter percorrido nela.

Nada mais difícil do que estar perdida no escuro, sem saber qual o primeiro passo para ajudar uma filha que não ouvia nada. E essa luz veio justamente de uma grande fonoaudióloga que a acalmou, orientou e acompanhou ao lado dela, participando em tudo da minha vida. E isso vai desde o início do uso dos primeiros aparelhos auditivos, dos acompanhamentos escolares até no convívio social e de lazer. A afinidade entre as duas foi tão grande que com o tempo se tornaram grandes amigas, e tendo ambas, filhos em idades próximas, com exceção de mim que era a mais nova da turma e todos se deram bem e hoje, com vários amigos em comum.

Dia 9 de dezembro é o dia do fonoaudiólogo, no entanto, para mim, todos os dias são deles, pois cada momento de aprendizado, interação, treino e todas as coisas que fazemos dentro de uma terapia e fora dela é único e especial.

Fico imaginando a sensação de felicidade, prazer e compensação em acompanhar a evolução de um paciente. Vibrar com as conquistas, tirar as dúvidas, compartilhar e apoiar nos momentos mais difíceis. E eu tive tudo isso e muito mais, pois recebi um amor e carinho tão grande da minha querida fonoaudióloga, que me ensinou muita coisa e me preparando para a vida e a ser mais independente.

Percebo que hoje essa profissão cresceu muito e que há diversas linhas, métodos e especialidades, com diferentes estilos e adaptações. Eu acredito na importância dos pais conhecerem todas as alternativas e a decisão da escolha seria deles, pois somente eles saberiam quais recursos que possuem e tempo livre disponível.

E a deficiência auditiva, para mim, é um pouco mais complexa e diferente de algumas outras deficiências, pois dentro dessa mesma deficiência, que é a auditiva, ocorrem muitas variações. E depende de vários outros fatores tais como família, do interesse da criança no aprendizado, do fonoaudiólogo, no esforço em aprender e estudar, do grau de perda auditiva, em alguns casos pode haver outros sintomas como hiperatividade ou déficit de atenção, enfim, por este motivo que cada caso é único. É importante que as pessoas compreendam que não é a deficiência que faz a pessoa.

Parabéns a todos os fonoaudiólogos e profissionais da área de saúde auditiva, tenho admiração por todos e acredito terem uma missão nobre e que tenham muito orgulho do seu trabalho.

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