Em comemoração a 40 anos do pediátrico Phonak, gostaria de parabeniza-la pelos excelentes profissionais e sempre inovando e aprimorando seus produtos com objetivo de melhor atender aqueles que necessitam de tais recursos para ouvir bem.

Especialmente a Phonak infantil que essse mês, pelos 40 anos aqui no Brasil, merece grande destaque, pois assim como foi no meu caso, acredito que a base mais importante para quem nasce deficiente auditivo (não importando o grau de perda) é a infância.

O que sou hoje, teve início enquanto ainda estava na barriga da minha mãe. Quando ela soube que estava com rubéola procurou se acalmar tendo aulas de órgãos. Pode imaginar o som desse instrumento, que de tão alto, talvez pudesse chegar até dentro do útero e assim, ia estimulando minha audição!? Bem… tudo é possível.

Atenta a tudo, minha mãe descobriu que não escutava nada e com um ano e meio comecei a usar aparelhos auditivos. Naquele tempo, para uma criança da minha idade só existia um modelo, vinha com duas caixinhas pequenas no qual minha mãe costurou um coletinho com bolsos para usar por baixo das minhas roupas e em cada caixinha saia um fio que era acoplado aos moldes que iam dentro dos meus ouvidos.

Era tão chamativo que não tinha como disfarçar isso e durante a minha infância, vários coleguinhas da escola me perguntavam: “O que é isso?” (sempre apontando para meu peito onde se viam duas “caixas”). Com naturalidade, explicava que precisava “daquilo” para poder ouvir. Por ser tão ativa e atenta a tudo que acontecia a minha volta, as pessoas nem lembravam mais que eu usava aparelhos e eu interagia com maior naturalidade com os outros.
Porém no início do primário, começaram a surgir novos modelos próprios para minha perda e meus pais, sem perderem tempo, foram atrás para que eu pudesse ter o melhor dos recursos para minha audição e ser independente.
Passei a usar os aparelhos intrauriculares e dessa forma se tornaram mais “invisíveis” graças aos meus cabelos compridos que disfarçavam. Com exceção dos dias que ia para a escola de rabo de cavalo que eu adorava.

Com esses aparelhos, no quais a parte tecnológica ficava atrás das orelhas e presos aos moldes de silicone, me possibilitou mais liberdade de movimentos, sem me preocupar no caso de cair e bater as caixinhas ou com os fios que teimavam em cair dos ouvidos conforme movimentos e puxões por causa das roupas.

E hoje, cheguei aos incríveis aparelhos auditivos Naída da Phonak, com muitas novidades e recursos que antes desconhecia. Além de também serem a prova da água, porém essa parte ainda não tive coragem de testar! Depois de quase 30 anos ouvindo a mamãe sempre me dizendo: “Cristina, não pode molhar os aparelhos”. É bem difícil de perder certos hábitos da infância.

Durante a fase de teste, ocorreu um fato muito interessante, foi quando tive uma dor muito forte nas costas e tive que fazer acupuntura. Estava na maca, deitada de barriga para baixo e rosto voltado para o chão. O acupunturista que estava do meu lado esquerdo me perguntou se eu estava bem. E respondi que sim. Em seguida minha mãe fez um comentário e percebi que a voz dela vinha em outra direção, mais a frente quase a direita. Isso foi algo que não conseguia notar antes. Mas claro, que depende muito do local que se encontra e das condições emocionais, pois se estiver cansada ou nervosa, com certeza fica mais difícil de ouvir bem. Segundo meu medico, isso é normal e ocorre com qualquer pessoa, e no meu caso é mais sensível por ser deficiente auditiva.

E outra grande novidade para mim que testei e adorei foi o sistema FM, uma maravilha de acessório que veio para complementar os aparelhos auditivos. Com o FM consigo ouvir a fala diretamente em meus ouvidos sem quaisquer interferência ou ruídos externos. Ideal para reuniões, palestras, conversar com seu companheiro em caminhadas, passeios e o principal, que é no meu caso, estimular a audição, para voltar a ouvir melhor sem a necessidade de olhar muito para a pessoa que estiver falando. Isso, eu fazia antes, com os modelos de aparelhos auditivos analógicos que usei por muitos anos desde o ginásio até a faculdade, quando tive problemas sérios com os nervos auditivos, que me obrigou a mudar para aparelhos auditivos digitais. Não foi fácil a adaptação, pois os sons e a tecnologia eram muito diferentes um do outro. A sensação que tinha com os novos modelos, era de que todo mundo estava gripado, pelo som anasalado. Porém sem opção, me forcei a adaptar e “reaprender” a ouvir. Foi uma fase muito difícil para mim.

E voltando aos FM. Achei o máximo, na possibilidade de voltar a treinar sem olhar a boca da pessoa. Ao fazer o teste com meu pai foi até engraçado. Ele ficada meio de lado, mas fora do meu alcance de visão. E dizia umas palavras como, por exemplo, as cores (amarelo, verde, azul, etc) e eu ia repetindo…. Certo momento, tocou o telefone, ele saiu correndo para atender na outra sala e ele esqueceu que estava com o FM no pescoço. O resultado foi de que eu conseguia ouvir algumas partes das conversas dele com o meu tio.
Não imagino o que o futuro me reserva, porém nunca perco a esperança e fé nessas  tecnologia, sempre agradecendo pela possibilidade de ter tais recursos, que mesmo com minha perda que é profunda desde nascença, me possibilita ouvir e levar uma vida mais independente.

Parabéns a Phonak, pelo trabalho maravilhoso e aos 40 anos de Pediatria.

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