A importância da luta das pessoas com deficiências, me faz lembrar a época em que eu era recém formada na área de jornalismo (1997). Com muita vontade de trabalhar, sai em busca de um emprego. Encarei diversos desafios, assim como tive altos e baixos nessa jornada.

Por esse motivo entre outros vários, entendo e apoio essa data que é 21 de setembro: Dia da Luta Nacional das Pessoas com Deficiências.
A Lei de Cotas ajudou somente em parte, como uma espécie de “empurrão” para colocar as pessoas com deficiências dentro de uma empresa. No entanto, ainda há muitas coisas a serem melhoradas, pois essa lei ainda causa uma grande diferença na hora de contratar. Em vários lugares, não avaliam a pessoa pelo currículo, mas simplesmente para “preencher o quadro de cota” e assim, evitar pagar multa ao governo. Portanto, ainda existe um abismo entre pessoas com deficiência e as que não têm deficiência dentro de uma empresa. Inclusive, na maioria dos lugares, só abrem vagas para essas pessoas com deficiência, como vagas “extras” ou no mínimo “júnior”. E aqueles que sofreram acidentes quando já eram adultos e precisam trabalhar, como ficam? Essas pessoas, apesar de terem bons currículos, terão que ser contratadas como “júnior”, devido à sua deficiência? Ou, como no meu caso, que tive ótimas referências do último emprego em Curitiba e resolvi voltar a morar em SP… todas as empresas onde eu tinha sido entrevistada naquela época, somente tinham vaga de “junior” para pessoas com deficiências.

É uma luta, sim.

Assim como citei no meu texto anterior, inclusive no quesito de atendimentos a Pessoas com Deficiências, acho importante ter autonomia em todos os campos da vida, seja no profissional quanto no pessoal.

Nunca fui muito a favor de seguir cartilhas ou manuais de pessoas com deficiências, pois cada pessoa é de um jeito. E aprendi que há diferenças até dentro de uma mesma deficiência, como por exemplo, alguns deficientes visuais gostam que os segurem de um determinado jeito e outros não.  Há deficientes auditivos que, dependendo da forma de aprendizagem que tiveram, conseguem ouvir bem sem olhar para o locutor e outros não… e assim vai.

Certa vez, conversando com um gerente de um banco no interior de SP, ele gostou da minha historia e perguntou se eu tinha algum conselho ou dica para ele, no caso de entrar uma pessoa com deficiência no banco. Apenas respondi que, se fosse comigo, gostaria que a funcionária do banco simplesmente me perguntasse: “Como posso te ajudar?”.  Assim, eu diria a ela qual a melhor forma que poderia me atender. Acredito que o primeiro passo seria essa pergunta para a pessoa com deficiência, em qualquer lugar, o que facilitaria a compreensão e ajuda por parte dos atendentes.
No caso de realmente haver um manual, que seja sobre educação, respeito e valorização. E isso, vale para todos os seres humanos.

Assim como também procuro sempre me colocar no lugar de outra pessoa, acho importante entender os não deficientes. Quem me conhece sabe que sou uma pessoa bem comunicativa e já me encontrei em diversos tipos de situações peculiares. Uma delas num taxi, conversando sobre  trânsito, tempo, etc. o taxista, não aguentando de curiosidade, me pergunta: “A senhora é daqui mesmo? (de SP) ou “Você é estrangeira?” ou essa então, tentando adivinhar de que região do Brasil eu sou: “A senhora é do Sul?”. Até imagino a curiosidade dessas pessoas que perguntam isso e explico que sou uma autêntica paulistana mesmo. E conto a elas resumidamente a minha história. O último taxista que peguei foi mais engraçado. Eu, sendo deficiente auditiva conversando com ele, que tinha acabado de fazer uma cirurgia vocal. Para ele falar, tinha que encostar um aparelho eletrônico na garganta e assim ele conseguia se comunicar. Imaginem a nossa conversa … e ele queria saber tudo de mim!
Ainda,  em filas para pessoas com deficiências, como no aeroporto, quando um funcionário da companhia aérea me perguntou se eu estava grávida, pois não havia encontrado nenhum traço de deficiência em mim… Acabei dando risada! Sempre encaro tudo isso com naturalidade, fazendo questão de deixar a outra pessoa a vontade.

Nessa data especial de 21 de setembro, assim como em todos os dias do ano, desejo que exista harmonia, compreensão, interação e amor entre todos os seres, sejam eles humanos e também os animais.

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